Resenha: A Vida Secreta Das Abelhas (Sue Monk Kidd)

Em 20.08.2017   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

Tendo como pano de fundo os anos 1960, A vida secreta das abelhas é uma história marcante sobre o poder feminino e o poder do amor. A adolescência de Lily Owens tem sido complicada. Ela não se lembra da morte da mãe, há mais de dez anos, e sua relação com o pai é mais que difícil. Em 1964, quando completa catorze anos, ela decide fugir junto com sua babá Rosaleen. Lily sai a caminho de Tiburon, a cidade que parece esconder alguma resposta sobre a vida de sua mãe. Chegando lá, ela e Rosaleen são acolhidas por três irmãs. Aos poucos, Lily descobre um mundo mágico de abelhas, mel e da Madona Negra. Com a ajuda das irmãs Boatwright —August, May e June —, Lily tenta desvendar sua história. Será que ela conseguirá enfrentar os demônios e seu passado e se tornar uma jovem independente?

Antes de mais nada, cabe pontuar que “A vida Secreta das Abelhas” se passa na quente e racista Carolina Do Sul dos anos 1960. Nessa época, os EUA está em grande efervescência. O direito ao voto é concedido aos negros. E, portanto, a luta pela igualdade e pela isonomia continua.

É nesse cenário social que vive Lily Owens, uma garota branca de 14 anos de idade. Órfã de mãe, a menina mora em Sylvan com o pai, T.Ray.

 Lily é doce, gentil e tem boas notas escolares. Ela seria o orgulho de qualquer pai. Qualquer um, menos T. Ray.   Na verdade, não parece importar a  T.Ray que a menina tenha qualquer qualidade. Para ele, Lily não passa de uma garota mimada que adora enfiar ideias malucas na cabeça.

O fato é que, desde a trágica morte da esposa, T Ray não consegue demonstrar carinho e cuidado por qualquer pessoa. E, por isso mesmo, Lily é confinada a um lar inóspito e sem  amor. O único consolo para a menina é a sua melhor amiga, a negra babá Rosaleen.

Certo dia, a babá e Lily vão à cidade. Rosaleen intenta pegar o seu título de eleitor, haja vista que o direito ao voto foi outorgado aos negros alguns dias antes. E é nesse momento em que a nossa história começa.

Quando, no caminho, Rosaleen é atacada, espancada e, injustamente, levada à prisão por um grupo de brancos,  Lily decide que é hora de fazer alguma coisa. Temendo que algo pior aconteça a sua amiga e, também, movida por uma raiva contra T. Ray, Lily ajuda Rosaleen a escapar da prisão e, junto com ela, foge de casa. Tendo como guia uma foto  que pertencia a sua mãe cuja legenda diz “Tiburon, Carolina do Sul“, Lily determina seu destino. Ela e Rosaleen devem ir para Tiburon, uma cidade que fica há poucas horas Sylvan. Além de Tiburon oferecer o esconderijo necessário, Lily tem a impressão de que encontrará lá todas as respostas de que precisa para desvendar o mistério que foi sua mãe.

Em Tiburon, Lily segue o rastro da foto que pertencia à mãe. A partir da  legenda, descobre as irmãs Boatwright: três negras que, senhoras de seu próprio destino, possuem uma criação de abelhas e, com elas, produzem e vendem o melhor mel da região.  O mel da Madona Negra.

Lily acredita que as três irmãs conheceram sua mãe. Mas, receosa, se abstém de contar a sua verdadeira história. Ora, como ela irá explicar que fugiu de casa e trouxe junto consigo uma fugitiva da polícia? Ainda que Rosaleen tivesse sido presa injustamente,  ela era uma fugitiva e, logo, seria procurada. Não, Lily não poderia contar a verdade. É melhor deixar que as irmãs se afeiçoem por ela e por Rosaleen – para só depois contar quem ela é e perguntar sobre  quem foi sua mãe.

Lily, portanto, inventa uma razão para estar ali, na casa das irmãs. E, muito embora as irmãs pareçam não acreditar muito na versão contada pela menina, elas a acolhem. Rosaleen e Lily podem ficar na casa enquanto precisarem e ajudar nos afazeres domésticos.

Lily aprende, então, a arte da criação de abelhas.  E acaba gostando muito das três irmãs. Excêntricas, práticas e independentes, elas conquistam a Lily completamente.

Dividida entre contar a verdade e ganhar mais tempo, Lily não sabe o que fazer. Mas uma coisa é certa: a palavra “lar” nunca teve antes um significado tão especial.

O que eu achei do livro:

Há alguns anos atrás, eu só conhecia o filme que foi inspirado nessa obra literária. Fiquei muito surpresa quando descobri, através do instagram de uma amiga, a existência do livro. Quis logo comprar, porque adoro o filme e achei que iria gostar do livro também. E, bom, não deu outra: que leitura boa! A história é linda, linda – sinceramente.

Preciso destacar alguns detalhes sobre a forma de narrativa de Sue Monk Kidd: ela é doce, inteligente e flui muito bem. Combinou perfeitamente com a história – que também é doce, inteligente e gostosa de ler.

É preciso salientar que as personagens são bem construídas. A escritora delineia mulheres fortes e independentes. Todas as irmãs Boatwright têm personalidades com algum traço muito marcante. August é uma líder nata, May é de uma sensibilidade e humanidade extrema  e June é ranzinza, mas tem bom coração.

Rosaleen, a babá de Lily,  é uma mulher sofrida – e sem bons modos – mas que está sempre preparada para lutar pelos seus direitos. Lily é uma menina gentil e inteligente em processo de amadurecimento.

A Vida Secreta Das Abelhas trata de assuntos densos e o faz de uma forma adorável e nada cansativa. Ele fala sobre adolescência, sobre crescer, sobre o primeiro amor, sobre a igualdade, sobre os direitos  humanos, sobre a amizade, sobre o empoderamento feminino e, também, sobre a  família.

Ás vezes, nossa família pode não ser o que desejamos que ela seja. A verdade é que as pessoas dificilmente serão o que esperamos. Idealizamos muito e vivemos a realidade de menos.  Porém, vez ou outra, isso não quer dizer que, essas mesmas pessoas, não nos amem. Podem até amar e, ao mesmo tempo, não saber como viver ou demonstrar isso. Ninguém é perfeito.  Cada um traz consigo uma bagagem pessoal, um contexto e um passado. Esse passado pode ser doloroso. E a dor molda as pessoas. E as impede de demonstrar amor e carinho. Isso é um fato. Precismos aprender a perdoar os outros por isso. Precisamos nos fortalecer e sair em busca da nossa própria felicidade. Como fez Lily – e cada um dos outros personagens desse livro.

O mundo é, sim, injusto. Mas essa é, afinal, a história mais antiga de todas. Nunca podemos nos cansar de lutar pelos nossos direitos. Não podemos desistir de procurar o nosso lugar ao sol.  Pois, no fim das contas (e aqui faço referência a mais um livro maravilhoso), o sol é para todos.

A nota que dou para este livro é, portanto, 5/6 (Excelente).  Termino essa resenha fazendo uma breve explicação sobre o título do livro: no decorrer da história, August – como criadora de abelhas- ensina tudo a Lily sobre o mundo secreto desses insetos. E cada ensinamento é, na verdade, uma metáfora para o momento que a menina está vivendo.  A própria escritora transcreve, no início de todos os capítulos, um trecho de um manual sobre a criação das abelhas – trecho que serve de prólogo para o que acontecerá, a seguir, na história.

Nota: Excelente.

Nome do livro: A Vida Secreta Das Abelhas;

Autora: Sue Monk Kidd;

Editora: Paralela;

Páginas: 256.

  • Váh

    Em 20.08.2017

    Também existe o filme “A vida secreta das abelhas” né não?
    Faz muitooo tempo que eu assisti, lembro que gostei mas não me recordo bem… Deu vontade de assistir de novo; você sabe que eu sou mais do cinema do que dos livros né.
    Mas é uma belíssima história.

    http://heyimwiththeband.blogspot.com.br/

  • Bruna Pezzan

    Em 20.08.2017

    Existe, sim!

    O filme não fica muito atrás do livro, não. É lindo também! <3