Trilogia Verão (Jenny Han)

Em 14.02.2018   Arquivado em LITERATURA

Livro 1 – O verão que mudou a minha vida

 

“Aos 15 anos, Belly mede sua vida em verões. Tudo de bom, tudo de mágico acontece entre os meses de junho e agosto. O inverno é apenas um hiato, um intervalo longe dos sonhos de menina e os primeiros devaneios de mulher.

É no verão que a família divide uma casa com a melhor amiga de sua mãe, Susannah e seus dois filhos: Jeremiah e Conrad. Para Belly, os dois são irmãos, paqueras e um infinito entre uma coisa e outra. Mas eles a enxergam apenas como uma espécie de irmã postiça, a caçula do amigo Steven. Até o verão em que tudo muda. Um terrível e maravilhoso verão que tudo transformou. Mas, curiosamente, deixou as coisas como sempre deveriam ter sido.

Jeremiah passa a ver Belly com outros olhos. Mas é com o distante e sisudo Conrad que Belly sonha, enquanto tem suas primeiras experiências no mundo do romance com Cam, também em férias no local. Jenny Han equilibra realisticamente a ingenuidade de Belly com a percepção que chega com a maturidade. O primeiro encontro, beijos roubados e a noção de férias como um momento diferente, separado do tempo e espaço fazem deste um romance sensível e único.”

Livro 2 – Sem você não é verão

“Continuação de O verão que mudou minha vida, segundo de uma trilogia que conquistou público e crítica ao acompanhar o súbito despertar sexual e emocional de três amigos: Jeremiah, Conrad e Isabel. Jenny Han trabalhou como vendedora de livros infantis e, ainda, como bibliotecária em um colégio para jovens da elite do Upper West Side. Essas experiências serviram de base para entender melhor seus personagens e seu público. Sua sintonia com eles é impressionante. E transparece também aqui neste volume.”

Livro 3 – Sempre teremos o verão

* A sinopse contém spoiler do primeiro e do segundo livros *

“Belly sempre esteve dividida entre os Fisher. Mas isso parecia ter ficado no passado. Assim como os incríveis dias de verão na casa de praia em Cousins Beach. Conrad, seu primeiro amor, se tornou apenas uma recordação. Agora, era Jeremiah quem ela amava, era com ele que Belly imaginava o futuro.

Eles resolvem se casar e passar o resto da vida juntos, mesmo que para isso precisem enfrentar as famílias, que desde o início são contra essa decisão. Mas quando Belly retorna à casa de praia e reencontra Conrad, antigos sentimentos vêm à tona. Com o dia do casamento se aproximando, as incertezas só aumentam. Seria possível voltar atrás? Ou melhor, seria o certo a fazer? Mais uma vez ela está na casa de praia, dividida entre os dois únicos meninos que já amou.

Neste último volume da série O verão que mudou minha vida, Belly está mais madura e se vê diante de uma importante decisão que mudará sua vida e a dos Fisher para sempre.”

O que eu achei dos livros:

Foi com essa trilogia que eu passei a gostar verdadeiramente do estilo de narrativa de Jenny Han, um estilo que mescla sensibilidade com sinestesia. Jenny conta suas histórias de forma ingênua e despretensiosa. O resultado é uma narrativa adorável e, portanto, muito gostosa de ler.

Esses três livrinhos, além de encantadores, são um ode à minha estação preferida do ano. O verão deixa os corações mais leves e, nele, tudo parece ser possível.  Jenny soube ambientar muito bem a sua trama neste cenário, descrevendo um clima de férias e de descontração, onde os “primeiros amores” florescem e o amadurecimento tem vez. Eu conseguia sentir o cheiro e o gosto do verão por entre as páginas.  Os livros ganharam vida para mim, de forma bastante cinestésica.

A história dos três livros é contada, na maior parte do tempo, por Belly – uma tímida adolescente no auge dos seus 15 anos. Gostei muito de assistir ao desenrolar da trama pelo ponto de vista de Belly. Enquanto eu estava lendo, eu me esqueci completamente de Jenny. Eu me esqueci de que aquilo era um livro; me esqueci de que aquele livro tinha um “eu – lírico” e de que, por trás deste, havia uma autora. Parecia que eu, de fato, estava escutando toda aquela história da boca de uma tímida e romântica garota de 15 anos. Eu emergi na história, profunda e completamente. Assim que li o primeiro livro, precisei dar continuidade à leitura dos outros dois.

Apesar da trilogia de Jenny trazer, em sua baila, um triângulo amoroso (entre irmãos) – coisa bastante clichê e saturada (típica de novelas mexicanas) – o resultado não foi ruim, como poderia ter sido nas palavras de outros autores (talvez menos qualificados). Na verdade, os livros mantiveram o seu brilho e trataram maravilhosamente do assunto sobre o qual se prontificaram a tratar: o amadurecimento, nas mais diversas situações – desde o início e o fim da adolescência, até nos casos em que um parente querido falece.

Gostei muito mesmo desta trilogia de J. Han. Os três livros são encantadores e, ainda que adolescentes, excepcionais.

A nota para a trilogia, como um todo, é 5/6 – Excelente. Recomendo para quem, assim como eu,  gosta de verão, de romance, e de livros sobre a adolescência e o amadurecimento. Recomendo, de verdade.

Nome do livro: O verão que mudou minha vida; Sem você não é verão; e Sempre teremos o verão.

Autora: Jenny Han;

Editora: Record;

Páginas: 288 páginas; 304 páginas; e 272 páginas.

Resenha: A Torre Do Terror (Jennifer MacMahon)

Em 05.02.2018   Arquivado em LITERATURA

 

Sinopse:

Um segredo macabro habita o Hotel da Torre. Nos anos 1950, o Hotel da Torre, com seus 28 quartos, era a maior atração da pequena Londres, em Vermont. Hoje está abandonado, vivo apenas na memória de três mulheres — as irmãs Piper e Margot e sua amiga, Amy Slater, filha da família que o administrava. Elas costumavam brincar lá quando pequenas, até o dia em que as brincadeiras desenterraram algo macabro e sinistro do passado dos Slater — algo que determinou o fim da amizade de Piper e Margot com Amy. Com o passar dos anos, as irmãs fizeram tudo o que puderam para deixar o episódio para trás e seguir com a vida; Piper mora na Califórnia, enquanto Margot dedica-se à família e a estudar a história local. Até que um dia Piper recebe uma ligação de Margot em pânico: Amy e sua família estão mortos, supostamente pelas mãos da própria Amy. Só que, antes de morrer, Amy deixou escrita uma mensagem que as irmãs sabem ser direcionada a elas: ’29 quartos’. De repente, Margot e Piper são forçadas a revisitar aquele verão fatídico em que encontraram uma mala e cartas que pertenceram a Sylvie Slater, tia de Amy, desaparecida na adolescência.

A Torre do Terror nos apresenta três tramas paralelas: a história das irmãs Slater, Rosie e Sylvie, e seus pais –  os primeiros donos do Hotel Da Torre; a história da infância de Piper e Margot  (também irmãs) e sua amiga Amy Slater (filha de Rosie Slater); e a história que se passa nos dias atuais:

Já adultas, Piper e Margot recebem a notícia de que sua amiga de infância, Amy Slater, assassinou toda a sua família – com exceção da filha, que  conseguiu fugir pelo telhado – e se suicidou logo em seguida.  Antes de morrer, Amy rabiscou num pedaço de papel uma estranha mensagem: “29 quartos”.

Piper e Margot sabem que a mensagem é direcionada a elas. E sendo assim, ambas se lembram de um verão, décadas atrás, em que exploraram o velho hotel junto com Amy.

O Hotel da Torre tinha, supostamente, apenas 28 quartos.  Mas, naquele verão, as meninas descobriram um vigésimo nono quarto.  Um quarto secreto. Um quarto que teve tudo a ver  com o desaparecimento da sonhadora e bela tia Sylvie Slater, quando esta ainda estava na adolescência. Um quarto que, afinal, pode ser a chave para o mistério da morte de Amy e de toda sua família.

O que eu achei do livro:

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o cenário. Sempre adorei histórias de terror que se passavam em antigos hotéis.

Situado ás margens de uma rodovia, o Hotel da Torre lembra o clássico “Bates Motel”, de Psicose. Uma ligação que é, de fato, proposital.  Sylvie Slater, uma das personagens, nos aponta, inclusive, esta semelhança.

A propósito, devo ressaltar que Sylvie foi a personagem que mais me chamou a atenção nesse livro. Sonhadora e ingênua,  loura e muito bonita, Sylvie se vê como uma grande estrela dos filmes de Hitchcock.  E, embora nunca tenha sido correspondida, ela envia constantemente cartas ao diretor, contando de seus sonhos e de sua admiração.  É em uma dessas cartas que a personagem nos fala sobre as semelhanças entre Bates Motel e o Hotel da Torre.

Eu adorava ler as cartas de Sylvie para Hitchcock.  Este foi um dos detalhes que enriqueceram a trama, na minha opinião.

Gostei muito de como a autora explorou a relação das irmãs Rosie e Sylvie. Quando a narrativa retornava ao passado, eu tinha mais prazer ao ler. Foram os momentos de maior suspense no livro.

Não gostei, no entanto, de como a autora se enveredou pelo fantástico e o sobrenatural.  Achei que o desfecho se deu de forma abrupta e previsível e, por isso mesmo, sem muita credibilidade.

Vejo “A Torre Do Terror” como uma história promissora, que poderia ser maravilhosa, se a autora tivesse optado por outros caminhos. Acho que a trama funcionaria melhor como um thriller do que como um livro fantástico. Mas essa é só a minha opinião. O fato é que o lado “mágico” da história realmente não me agradou, muito embora tenha gostado da narrativa conduzida de forma detalhista e com alternância entre o passado e o presente.

 A nota que dou ao livro é, portanto, 4/6 (bom). É um livro gostoso de ler, mas que peca por não ultrapassar aquilo que é previsível e, portanto, já esperado.

Nome do livro: A Torre Do Terror

Autora: Jennifer McMahon

Editora: Record

Páginas: 378

Resenha: Notas Suicidas De Belas Garotas (Lynn Weingarten)

Em 10.01.2018   Arquivado em LITERATURA

Sinopse:

June sempre foi solitária. Até conhecer Delia Cole no sexto ano do colégio. Elas se tornaram inseparáveis, compartilhando a perda da inocência e o florescer da malícia na adolescência. Para June, não havia  ninguém como sua melhor amiga. Delia era a garota mais bela do mundo quando sorria, e incendiava aqueles que a rodeavam. Embora, às vezes, se tornasse fria e sombria. As duas acreditavam que nada poderia separá-las… até aquela estranha noite que as afastou por um ano – e depois para sempre. Quando o vice-diretor da escola North Orchard anuncia que Delia está morta, uma onda de angústia toma conta de June. Dois dias antes, a amiga havia ligado para ela, mas June ignorou as chamadas. Todos dizem que Delia ateara fogo no próprio corpo. Sua melhor amiga havia se matado. June não consegue aceitar. Delia não seria capaz disso. Ou seria? Então, quando bilhetes póstumos da amiga começam a chegar, June se convence de que ela fora assassinada. Alguém estava mentindo nessa história, e a lista de suspeitos é perturbadora. O que June fará quando toda a verdade vier à tona?

Notas Suicidas de Belas Garotas apresenta duas personagens principais: June e Delia. Ambas são problemáticas e possuem traumas familiares. Talvez tenha sido esse, inclusive, o ponto em comum que ensejou a amizade entre elas no início da adolescência.

Apesar de serem inseparáveis, melhores amigas para sempre, esse “sempre” teve um fim.

Quando, em uma noite, surge um  problema envolvendo o namorado de June e sua melhor amiga, Delia,  as duas se afastam. Cortam completamente as relações. E, assim, um ano  passa sem que elas troquem nem mesmo uma palavra.

Logo após o feriado de fim de ano,  June recebe a notícia de que Delia cometeu suicídio. A sua ex- melhor amiga, supostamente, entrou em um barracão e ateou fogo ao próprio corpo.

Todos estão falando no assunto. Delia era meio problemática: uma suicida em potencial. Apesar disso, June se recusa a acreditar que a amiga tenha mesmo se matado. Delia podia ser problemática, mas ela tinha sede pela vida. Era animada e inconsequente, mas não uma suicida. Além disso, ela morria de medo de fogo. Por que raios, então,  escolheria morrer queimada?! Não faz sentido. Delia não pode ter se matado. Se June ao menos tivesse atendido a ligação da amiga dois dias antes do suicídio… ela poderia saber o que realmente aconteceu. Ela poderia ter oferecido esteio.

Incapaz de acreditar no suposto suicídio de Delia, June começa a investigar e ponderar hipóteses. Poderia a amiga ter  sido vítima de um crime?  O que realmente aconteceu com Delia?!

O que eu achei do livro:

Preciso ser sincera, eu realmente detestei “Notas Suicidas De Belas Garotas”. É exatamente o tipo de livro que eu não quero ter na minha estante.

Não foram só os problemas de ritmo que me irritaram durante a trama. Porque, sim, esse livro tem sérios problemas rítmicos.  A leitura começa fraca, continua fraca e, no meio do livro, acontece um “plot twist” – uma revelação bombástica – que muda completamente o desenvolvimento da história.  Depois da revelação, você até pode pensar: “essa história vai ficar boa”, mas, não, ela não fica. Na minha opinião, a autora não soube conduzir muito bem a narrativa – o que gerou tédio. Virava as páginas de puro desgosto, porque queria terminar aquela leitura logo.

Também não foram só os personagens detestáveis que me fizeram não gostar desse livro.  Não consegui me sentir envolvida com a personalidade de June ou de Delia. Não rolou identificação. Não teve simpatia. Mas até aí, tudo bem. Eu não tenho que gostar de nenhum personagem. Um autor não cria seus personagens buscando agradar ao leitor.  O que me incomodou foi o fato de que a autora não conseguiu aprofundar muito a personalidade “detestável” de suas personagens. Ela não soube desenvolvê-las.

Em um momento, June é uma garota decidida, que aparenta ser forte, e está determinada a descobrir o que aconteceu com sua amiga. De repente, ela se torna submissa, boba e romântica ao extremo. A autora não soube explicar muito bem a forma como se deu essa mudança.

O mesmo pode ser dito de Delia. Ela é uma personagem interessante. Dominadora. Detestável. Politicamente incorreta. Mas uma personagem interessante que, obviamente, merecia ser bem desenvolvida. Isso não aconteceu. Não sabemos o porquê de seu comportamento. Acho legal quando o autor deixa a interpretação de alguns detalhes a encargo do leitor. Mas é necessário que exista um estímulo, uma pista. Weingarten me pareceu negligente quanto a isso.

Aliás, deve- se dizer que Weingarten foi negligente em muitas coisas. No livro, existe certo grupo de “foras da lei” que é determinante para a história. Eles não trabalham, mas são riquíssimos. Conseguem hackear contas bancárias com muita facilidade. Forjar assinaturas, documentos, bem como outras coisas, sem muito esforço. Gostaria de entrar em mais detalhes quanto a isso, mas não posso, sob o risco de dar spoiler. O fato é que achei esse “grupo” e suas “habilidades” muito surreal. Não fez sentido, simplesmente. Então, ponto negativo para o livro.

Apesar de tudo isso, o que mais me irritou mesmo em toda a história foi a falta de empatia quanto ao suicídio. O título é muito sugestivo. Porém, curiosamente, quase nenhuma página do livro se debruça sobre o assunto.  Não se fala em depressão, não se fala em sinais do suicida, não se fala em formas de evitar um suicídio e, tampouco, é falado da dor da família e dos amigos quando uma morte acontece nesses termos. Em suma, não há empatia; não há cuidado.  O suicídio é tratado de forma leviana. E, sim, isso me incomodou muito, muito mesmo.

O único ponto positivo desse livro é a alternância de foco narrativo. Em um momento, conhecemos a versão que June tem da história. E a sua versão é, na maioria das vezes, romantizada e sem muita verossimilhança com o que realmente aconteceu.  Em outro momento, ficamos a par da visão de Delia. A sua versão da história é mais árida, incorreta, chegando a causar asco – o que condiz bastante com a personagem. Achei esse tipo de alternância interessante. Mas não interessante o suficiente para mudar a minha avaliação.

O final do livro é “aberto”. Cabe a nós, leitores, determinarmos qual desfecho se molda melhor à história – o que pode parecer “cult”, mas só serviu para aumentar ainda mais a minha percepção de negligência.

Na minha opinião, este livro não foi apenas uma completa perda de tempo (e dinheiro), mas um real desserviço à minha pessoa. É um trama que promete muito e não realiza quase nada. Portanto, avalio “Notas Suicidas De Belas Garotas” como ruim (nota 2/6). Fui até o final da leitura, mas por pouco eu não desisti.

De qualquer forma, acredito que só temos uma opinião real e válida sobre alguma coisa quando conhecemos a fundo. É por isso que sempre digo: leia e tire sua própria conclusão, se quiser. Não funcionou mesmo para mim, mas pode funcionar para você.

Nome do Livro: Notas Suicidas De Belas Garotas

Autora: Lynn Weingarten

Editora: Plataforma 21

Páginas: 325 páginas

 

 

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